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ANTES DO ÓBVIO

Artigo

Tecnologia e saúde agora andam juntas no Recife

28 ago, 2026 • 3 min de leitura

O REC’n’Play Capítulo Saúde está terminando enquanto escrevo este texto. A desmontagem vai começar no NERD depois de dois dias intensos, e talvez este seja um bom momento para registrar a impressão que ficou. Tivemos mais de duas mil pessoas registradas, com oito oficinas lotadas e uma programação que trouxe nomes como Daniel Becker, Mariana Ferrão e Dra. Ana Escobar, além de várias mesas com conteúdos de negócios, saúde e tecnologia, além de várias agendas de negócios. Tivemos uma movimentação intensa, que mostra a necessidade de conexão entre os setores. Mas o número que mais me interessa não está na planilha de inscritos.

O que me chamou atenção foi a disposição das pessoas que trabalham com saúde para conversar sobre tecnologia. Médicos, profissionais do setor, empresas e gente que normalmente circula por outros ambientes estavam ali querendo entender inteligência artificial, inovação, novos modelos de negócio e as transformações que estão chegando à saúde. Isso reforçou uma convicção que eu já tinha: tecnologia e saúde, no Recife, precisam andar juntas.

Recife tem uma combinação que poucas cidades brasileiras possuem. De um lado, um ecossistema de tecnologia que ganhou escala, empresas, profissionais e capacidade de inovação. Do outro, um polo de saúde enorme, com hospitais, médicos, formação, pesquisa e uma cadeia de serviços muito sofisticada. Durante muito tempo, esses dois mundos cresceram muito próximos geograficamente, mas não necessariamente conectados na intensidade que poderiam estar.

Isso começa a mudar. O Real Hospital Português será parceiro oficial do Porto Digital, e essa aproximação é importante justamente porque não estamos falando apenas de levar tecnologia para dentro de um hospital. Estamos falando de aproximar competências. Os grandes problemas da saúde contemporânea passam cada vez mais por software, dados, inteligência artificial, gestão, experiência do paciente, novos modelos de prevenção e uma série de áreas nas quais a fronteira entre “empresa de saúde” e “empresa de tecnologia” começa a ficar menos evidente.

É também aí que entra o NERD. Ele não foi pensado simplesmente como um novo prédio do Porto Digital nem como um lugar para realizar eventos. A ambição é funcionar como uma plataforma de negócios e conexões. O Capítulo Saúde mostrou o que acontece quando colocamos comunidades diferentes para conversar. O desafio agora é fazer com que essas conversas continuem quando os palcos forem desmontados.

Por isso, talvez o melhor indicador de sucesso deste Capítulo não sejam as duas mil inscrições nem as salas cheias. Será o que conseguirmos construir depois dele: empresas trabalhando juntas, hospitais experimentando novas soluções, startups encontrando problemas reais para resolver, pesquisadores se aproximando do mercado e profissionais de saúde participando mais intensamente do ecossistema de inovação.

Eventos são bons para produzir encontros. Ecossistemas só existem quando esses encontros produzem relações.

O Capítulo Saúde acabou. A conversa entre saúde e tecnologia no Recife está apenas começando.

Nem tudo que importa já tem nome.

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