O mercado de trabalho em tecnologia perdeu ritmo no Brasil, mas Recife e Pernambuco seguem apresentando um desempenho muito acima da média nacional.
Dados mais recentes do Novo CAGED mostram que, entre julho de 2025 e julho de 2026, o emprego em Tecnologia da Informação e Comunicação cresceu 1,7% no Brasil. No Recife, no mesmo período, a expansão foi de 12,9%. Em Pernambuco, o crescimento chegou a 12,6%.
O contraste fica ainda mais claro quando observamos algumas das principais capitais do país. São Paulo apresentou estabilidade, com variação de 0,0% no emprego em TIC. Belo Horizonte cresceu 0,4% e Florianópolis, 0,5%. Rio de Janeiro teve retração de 2,8%, enquanto Curitiba e Salvador registraram queda de 0,8%.
Outros mercados importantes continuaram crescendo, como Porto Alegre, com 4,9%, Brasília, com 4,5%, e Goiânia, com 3,4%. Ainda assim, Recife aparece em um patamar bastante superior.
O dado de Pernambuco ajuda a mostrar que esse movimento não está restrito à capital. O emprego em TIC cresceu 12,6% no estado em doze meses, praticamente o dobro da expansão de 6,3% registrada no Nordeste e muito acima dos 1,7% do Brasil.
Um mercado nacional mais moderado
Os números não significam que o setor de tecnologia tenha parado de contratar no Brasil. O que eles mostram é uma perda de velocidade.
Depois de alguns anos de forte expansão da demanda por profissionais de tecnologia, diversos mercados importantes estão hoje muito próximos da estabilidade. Esse movimento pode estar relacionado a uma combinação de fatores: maior maturidade das empresas na contratação de equipes digitais, reorganização do setor após o crescimento acelerado dos últimos anos e aumento da produtividade proporcionado por novas ferramentas de inteligência artificial e automação.
Ainda é cedo para afirmar que existe uma mudança estrutural em curso, mas a desaceleração merece atenção.
O mais interessante é que esse movimento não ocorre da mesma forma em todo o território nacional. Enquanto alguns dos principais polos tradicionais registram estabilidade ou queda, outras regiões continuam ampliando sua base de empregos tecnológicos. Recife e Pernambuco estão entre os exemplos mais fortes desse segundo grupo.
Recife e Pernambuco seguem em ritmo diferente

No caso do Recife, os dados apontam para uma dinâmica distinta. O emprego formal total da cidade cresceu 3,8% no período, enquanto o emprego em TIC avançou 12,9%.
Em Pernambuco, o comportamento é semelhante. O crescimento de 12,6% no emprego em TIC mostra que a expansão da economia digital vai além da capital e começa a ganhar uma dimensão estadual.
Essa diferença ajuda a mostrar o peso que a economia digital ganhou no Recife e, cada vez mais, em Pernambuco.
Parte desse crescimento está relacionada ao amadurecimento do ecossistema construído ao longo das últimas décadas em torno do Porto Digital, que hoje reúne empresas de diferentes portes, startups, universidades, centros de pesquisa e programas de formação de profissionais.
Ao mesmo tempo, a dinâmica tecnológica de Pernambuco começa a se espalhar para além do núcleo tradicional do Recife. A presença de empresas, instituições de ensino, programas de formação e iniciativas de inovação em outras regiões amplia a capacidade do estado de gerar e absorver profissionais de tecnologia.
A expansão da base tecnológica também não ocorre apenas dentro das empresas tradicionalmente classificadas como sendo do setor de TIC. Bancos, hospitais, indústrias, empresas de varejo, serviços e diferentes organizações passaram a contratar diretamente profissionais de software, dados, cibersegurança e inteligência artificial.
Esse processo amplia a demanda por competências tecnológicas em toda a economia e ajuda a explicar por que o crescimento do emprego em TIC pode ocorrer mesmo fora das empresas estritamente classificadas como empresas de tecnologia.
“O dado mais relevante não é apenas o crescimento do Recife, mas o fato de Pernambuco também apresentar uma expansão de dois dígitos. Enquanto o mercado de tecnologia perdeu velocidade em vários dos principais centros do país, Recife cresceu 12,9% e Pernambuco, 12,6%. Isso mostra que existe aqui uma dinâmica de expansão mais ampla, associada ao fortalecimento do ecossistema de inovação, à formação de profissionais e à capacidade de atrair empresas e novos projetos.”
Formação de profissionais continua sendo decisiva
Um dos principais desafios para sustentar esse ritmo de crescimento continua sendo a disponibilidade de pessoas qualificadas.
Nos últimos anos, Recife e Pernambuco ampliaram significativamente programas de formação ligados ao setor de tecnologia, aproximando universidades, empresas e políticas públicas. Esse movimento é particularmente importante porque ecossistemas de inovação não crescem apenas atraindo empresas: eles precisam construir continuamente uma base de profissionais capaz de acompanhar a expansão do mercado.
É também nesse contexto que iniciativas ligadas ao Porto Digital ganham importância. A formação de novos profissionais, a aproximação entre empresas e universidades e a atração de novos negócios ajudam a criar um ciclo em que oferta de talentos e demanda empresarial se reforçam mutuamente.
A questão, portanto, não é apenas quanto Recife consegue crescer, mas até que ponto essa dinâmica pode se espalhar pelo restante de Pernambuco. Os dados mais recentes sugerem que esse processo já está acontecendo.
Os próximos meses serão importantes para entender se a desaceleração observada nacionalmente é apenas conjuntural ou se representa um novo estágio do mercado brasileiro de tecnologia.
Por enquanto, os números mostram uma diferença clara: enquanto boa parte dos grandes mercados de TIC do país cresce pouco ou permanece estável, Recife e Pernambuco continuam expandindo sua base de empregos em tecnologia em ritmo de dois dígitos.
Fonte: Novo CAGED – Ministério do Trabalho e Emprego. Comparação julho de 2026 com julho de 2025.
