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ANTES DO ÓBVIO

Artigo

O NERD já tem 10 comitês ativos…e outros virão.

28 ago, 2026 • 5 min de leitura

Uma das coisas que a gente decidiu desde o começo é que o NERD não poderia ter uma agenda construída apenas pelo Porto Digital. Se a ideia é criar uma plataforma de conexão e negócios, faria pouco sentido a gente decidir sozinho quais são os temas importantes, quem precisa conversar com quem e onde estão as oportunidades.

Essa é uma questão importante porque ecossistemas funcionam de um jeito diferente de empresas. Em uma empresa, existe uma hierarquia capaz de definir prioridades, distribuir tarefas e cobrar resultados. Em um ecossistema, não. As pessoas e organizações continuam tomando suas próprias decisões. O papel de quem faz a governança é outro: identificar oportunidades, aproximar competências, mobilizar comunidades e criar condições para que relações que dificilmente aconteceriam sozinhas passem a acontecer.

Foi dessa ideia que surgiram os Comitês de Curadoria do NERD.

Hoje já temos 10 comitês ativos, reunindo 53 pessoas do nosso ecossistema. São empresários, executivos, pesquisadores, professores, investidores e profissionais com experiências bastante diferentes. Não estão ali para representar formalmente suas instituições nem para participar de mais um conselho. A ideia é ajudar a enxergar movimentos, identificar oportunidades e construir uma agenda que faça sentido para cada uma dessas comunidades.

Os primeiros comitês foram organizados de duas maneiras.

Cinco deles tratam de competências que atravessam diferentes setores: Capital, Cibersegurança, Inteligência Artificial, Futuro do Trabalho e ESG. São assuntos que não pertencem a uma indústria específica. Uma empresa de saúde precisa discutir inteligência artificial. Uma indústria precisa discutir cibersegurança. Uma empresa de tecnologia precisa discutir capital e futuro do trabalho.

Os outros cinco estão organizados em torno de verticais econômicas: Indústria, Saúde, Turismo, Varejo e Finanças. Nesse caso, a lógica se inverte. Em vez de partir de uma competência, partimos de um setor e tentamos aproximá-lo das diferentes competências existentes dentro e fora do Porto Digital.

Essa combinação é importante. E talvez seja uma das coisas mais interessantes do modelo.

Quando cruzamos competências com setores, começam a aparecer conexões menos óbvias. Saúde encontra inteligência artificial. Indústria encontra cibersegurança. Turismo encontra dados. Varejo encontra novos meios de pagamento. Finanças encontram tecnologia. E pessoas que muitas vezes trabalham a poucos quilômetros umas das outras, mas frequentam ambientes completamente diferentes, passam a ter razões para conversar.

O evento termina. A conexão precisa continuar.

O REC’n’Play Capítulo Saúde que realizamos esta semana no NERD ajuda a mostrar um pouco dessa lógica na prática.

Durante dois dias, tivemos mais de duas mil pessoas registradas, oito oficinas lotadas, palestras com nomes como Daniel Becker, Mariana Ferrão e Dra. Ana Escobar, além de mesas sobre saúde, tecnologia e negócios e uma intensa agenda de conexões. Mas o que mais me chamou atenção não foi o número de inscritos. Foi perceber o tamanho do interesse das pessoas do setor de saúde em se aproximar da tecnologia.

Isso é especialmente relevante no Recife. Temos um dos maiores e mais sofisticados polos de saúde do país e, ao mesmo tempo, construímos nas últimas décadas um ecossistema relevante de tecnologia e inovação. São dois ativos enormes da cidade que cresceram muito próximos geograficamente, mas que ainda têm muito espaço para se conectar.

O Capítulo Saúde aproxima esses mundos durante dois dias. O Comitê de Saúde existe para ajudar a fazer com que essa conversa continue no restante do ano.

Essa diferença é fundamental para o que estamos tentando construir.

Um evento pode colocar centenas de pessoas no mesmo lugar. Pode gerar uma boa conversa, apresentar tendências e fazer pessoas se conhecerem. Tudo isso é importante. Mas o resultado mais interessante aparece quando uma conversa vira projeto, quando um problema encontra uma empresa capaz de resolvê-lo, quando uma instituição decide testar uma tecnologia ou quando pessoas que não se conheciam passam a construir alguma coisa juntas.

REC´n´Play Capítulo Saúde reuniu mais de 2 mil pessoas

É por isso também que os dez comitês atuais não são uma estrutura fechada. Outros virão. À medida que novas comunidades se organizem, novos temas ganhem relevância ou novas oportunidades apareçam, podemos ativar outros comitês. Não faz sentido definir agora uma lista definitiva de assuntos que serão importantes daqui a três ou cinco anos. Se estamos falando de inovação, essa agenda precisa necessariamente permanecer aberta.

No fundo, existe uma escolha por trás desse modelo. Poderíamos construir o NERD como um espaço com uma equipe responsável por produzir uma programação e oferecê-la ao mercado. Vamos fazer eventos, cursos e encontros, evidentemente. Mas a ambição é maior.

Queremos que parte importante do que acontece ali seja provocada pelas pessoas que fazem parte dessas comunidades.

É uma mudança aparentemente pequena, mas que altera bastante a lógica. Em vez de perguntar apenas “o que o Porto Digital pode oferecer para esse setor?”, começamos a perguntar “o que podemos construir juntos?”

Talvez seja essa a melhor maneira de explicar o que queremos que o NERD seja.

Menos uma programação que o Porto Digital entrega para o ecossistema e mais uma plataforma que o próprio ecossistema ajuda a construir.

Nem tudo que importa já tem nome.

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